Cinda de Oxum: A sabedoria que sustenta a tecs


Quem é Cinda de Oxum?
Desde cedo, Cinda carregava consigo sinais de uma mediunidade aflorada, embora não compreendesse o que aquelas manifestações significavam. Criada dentro do catolicismo, buscava respostas na fé que conhecia, mas as experiências espirituais iam além do que sua religião de origem conseguia explicar.
Foi então que entrou em cena Dora, já frequentadora de uma casa espírita. Atenta e esclarecida, Dora foi capaz de reconhecer que aquilo que acontecia com Cinda era um chamado da espiritualidade. Assertivamente, tomou a decisão de conduzi-la até o espaço que poderia acolher e esclarecer sua vivência mediúnica: uma casa espírita.
Esse encontro não apenas ofereceu respostas a Cinda, como também mudou o rumo de sua vida, abrindo caminho para que ela descobrisse sua verdadeira missão.
Cinda sempre foi uma mulher de conduta íntegra. Criada dentro dos valores morais do catolicismo, carregava consigo o hábito da oração, a fé em Cristo e, acima de tudo, a prática da caridade — não como obrigação, mas como uma expressão natural de quem era.
De temperamento pacífico, sabia ouvir a todos com atenção e respeito. Para ela, a humanidade vinha antes das diferenças religiosas. Via em Jesus Cristo não apenas o filho de Deus, mas um guia de moralidade e exemplo maior de conduta reta, humildade e amor ao próximo.
Quando o espiritismo se apresentou em sua vida, Cinda o recebeu com a mesma serenidade que guiava suas escolhas. Não houve julgamento, nem críticas; apenas o respeito por cada pessoa e cada ensinamento que cruzava seu caminho. Assim, pouco a pouco, foi se permitindo mergulhar em um novo universo espiritual, acolhendo os sinais e aprendizados que se revelavam diante de si.



8 de dezembro de 1978
O chamado da espiritualidade encontrou seu ponto decisivo em 8 de dezembro de 1978. Naquele dia, Cinda, em profundo compromisso com sua fé e sua missão, selou um acordo com seu guia, o Caboclo Sabixara. Foi o marco da fundação da Tenda Espírita Caboclo Sabixara (TECS), um espaço erguido sobre os pilares do sacerdócio moral, da caridade incondicional e da retidão espiritual.
Cinda assumiu, diante de sua própria consciência e da espiritualidade, a responsabilidade de conduzir uma casa que jamais se afastaria de sua essência religiosa.
Ao lado dela, o Caboclo Sabixara não apenas orientava os trabalhos, mas transmitia sabedoria e humildade que se tornariam marcas indissociáveis daquela trajetória.
A fundação da TECS não foi uma caminhada solitária.
Cinda contou com o apoio de corações generosos que se uniram em torno do bem maior. Entre eles estavam Vilma, Paulo, Hilda, Maria, Austa e Lúcia, voluntários que se tornaram a primeira geração da TECS.
Foram eles que, mesmo diante das dificuldades e limitações da época, estenderam as mãos, dividiram esforços e se apoiaram mutuamente para que a tenda pudesse erguer suas bases sólidas. Não havia luxo, mas havia fé. Não havia abundância material, mas havia abundância de amor, entrega e determinação.
Cada um, à sua maneira, deixou uma marca indelével na história da casa. Alguns já partiram para o plano espiritual, mas todos permanecem vivos na memória e no coração da TECS. Foram eles os verdadeiros fundadores, que ajudaram a construir não apenas uma tenda, mas um refúgio de esperança que, até hoje, abriga e acolhe todos aqueles que buscam auxílio espiritual.
Essa primeira geração cumpriu sua missão com dignidade e grandeza, abriram caminhos para que o trabalho florescesse, para que a Umbanda fosse vivida em sua essência, e para que o futuro da TECS fosse possível.


Monica de Oya – Guardiã do Legado da TECS e Herdeira da Fé
Filha de Cinda, Monica cresceu imersa no ambiente da TECS, onde desde cedo testemunhou a dedicação da mãe. Ainda menina, compreendeu o valor de manter as portas sempre abertas a quem buscava auxílio.
Com o tempo, Monica tornou-se a segunda geração da TECS. Embora possua sua própria personalidade e modo de conduzir, guarda profunda admiração e respeito pela trajetória de sua mãe e pelo guia que a orientava, o Caboclo Sabixara. Sua liderança é pautada pela continuidade da doutrina que herdou, sempre com reverência às raízes que a formaram e com gratidão à espiritualidade que sustenta a instituição.
Hoje, Monica de Oya se coloca como guardiã do legado de Cinda, conduzindo a TECS com firmeza, assegurando que a essência da casa permaneça viva para as futuras gerações.
“Cresci vendo minha mãe exercer o sacerdócio com hombridade e caridade, não como discurso, mas como prática diária. Foi ali que aprendi que espiritualidade não combina com displicência. Caboclo Sabixara é austero, ensina pelo exemplo e não flexibiliza aquilo que sustenta uma casa de fé.”
Monica de Oya
